"Somos negros e fazemos parte da sua cultura": Os blocos afro de Salvador e a disputa por outras narrativas possíveis
Daniel Martins.
XXXII Congreso de la Asociación Latinoamericana de Sociología. Asociación Latinoamericana de Sociología, Lima, 2019.
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Resumen
Nos idos dos anos de 1970, grande parte dos chamados Blocos de Trio e dos clubes carnavalescos da cidade de Salvador, capital do estado da Bahia, não permitia o ingresso de negros. Tais restrições eram representativas de toda a segregação a qual a população negra baiana estava submetida. Em resposta, sob influência do Pan Africanismo e do Movimento Afro-Americano, jovens negros residentes nas periferias da cidade organizaram-se, em plena ditadura militar, para transformar o lazer em militância ao propor a conversão do reino lúdico do carnaval em espaço de denúncia, luta e resistência negra. Nasciam assim os blocos afro, organizações que engendraram mecanismos próprios de movimentação, capazes de utilizar a cultura negra como instrumento de mobilização, afirmação, politização e conscientização das massas. Nesse contexto, foi primordialmente através de sua música que tais agremiações transformaram as estruturas sociais da capital baiana, dando voz a coletivos historicamente excluídos, carnaval após carnaval, compreendendo sua música como elemento central de um projeto político-educacional mais amplo, efetivo instrumento pedagógico através do qual seria possível transmitir às gerações vindouras, conteúdos e versões de uma História que a historiografia tradicional esconde, travando uma verdadeira disputa pelo direito a uma narrativa do Brasil e, especificamente, do negro brasileiro. Sendo assim, a partir de leituras de autores como Cadena e João José Reis, o objetivo deste texto é refletir sobre o modo como os blocos afro fazem uso de sua produção cultural como instrumento de afirmação da negritude e contestação da ordem vigente.
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