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Intelectuais brasileiros e espanhóis no exílio argentino: a história de um encontro (1930-1940)
Rangel y Lívia.
XIV Jornadas Interescuelas/Departamentos de Historia. Departamento de Historia de la Facultad de Filosofía y Letras. Universidad Nacional de Cuyo, Mendoza, 2013.
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Resumen
A cidade de Buenos Aires, durante as décadas de 1930 e 1940, tornou-se destino de muitos intelectuais exilados dos regimes políticos autoritários de seus países. Brasil e Espanha experimentavam, nesse período, situações políticas bastante hostis: de um lado, a ditadura do Estado Novo (1937-1945), que instaurou, no Brasil, uma prática de opressão, tortura e perseguição aos opositores; de outro, a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) que, por quatro anos, matou e expulsou milhares de espanhóis, empurrando-os para países como México e Argentina. Embora pertencessem a contextos diferentes e vivenciassem práticas de violência distintas, a insustentável permanência em seus países fez com que alguns artistas e escritores brasileiros e espanhóis formassem um grupo com forte atuação no cenário cultural portenho. Da reunião desses intelectuais surgiram muitos projetos, desde a exposição de pinturas, desenhos e esculturas, até a edição de livros, revistas e jornais. Nomes como os dos brasileiros Newton Freitas e Lídia Besouchet, somados aos dos espanhóis Lorenzo Varela, Arturo Cuadrado, Rafael Dieste e Luis Seoane estiveram no centro dessas criações. Partindo desses aspectos, interessa a esta comunicação discutir os laços de afinidade e de solidariedade que se formaram entre brasileiros e espanhóis, considerando a situação do exílio peça-chave para compreender a necessidade de convivência entre sujeitos banidos de suas pátrias. Na mesma medida, pretende-se abordar o modo como esses intelectuais se beneficiaram do crescente mercado editorial argentino, levando em conta as estratégias e as manobras para evitar arranhar as relações de tolerância estabelecidas entre os exilados, em sua maioria de tendências esquerdistas, e o governo argentino, de forte expressão conservadora. A noção de exílio ilustrado, pensada a partir da ideia desenvolvida por Said (2003) de que o exílio é não apenas uma experiência de perda e de ferida, mas uma aventura e uma descoberta, perpassa toda a análise aqui proposta, pois sugere que foi por meio desse tipo de intercâmbio entre os intelectuais que suas atividades culturais, como artistas, escritores, jornalistas, puderam ser continuadas e mesmo intensificadas no exílio.
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