Desconstruindo velhas narrativas sobre o “sertão”: novos desenhos de pesquisa para compreender a ocupação do semiárido brasileiro
Kaliane de Freitas Maia y Aldo Manoel Branquinho Nunes.
XXXII Congreso de la Asociación Latinoamericana de Sociología. Asociación Latinoamericana de Sociología, Lima, 2019.
Dirección estable:
https://www.aacademica.org/000-030/1660
Resumen
O objetivo desse trabalho é propor um aparato metodológico, destinado a compreensão de processos de longa duração, que envolvem a ocupação da terra e a conformação de estruturas sociais. Esse aparato, de caráter interdisciplinar, consiste na combinação de pesquisa documental em profundidade, história oral e etnografia em comunidades rurais do semiárido brasileiro. Nosso interesse com esse trabalho é demonstrar resultados de pesquisas desenvolvidas na periferia acadêmica brasileira, que justificam uma reformulação de um quadro teórico metodológico, tornado clássico pelos principais centros de pesquisa social do Brasil, a respeito do Nordeste, que simplificou a constituição das estruturas fundiária e social, a partir da narrativa que tem o “mito sesmarial pecuarista” como fundamento. Essa tradição representada por autores como Capistrano de Abreu, Prado Junior e Roberto Simonsen, reproduziu sem pesquisa empírica aprofundada, um modelo analítico genérico e normativo, herdado das crônicas de viajantes naturalistas de origem europeia, que acabou invisibilizando dinâmicas sociais paralelas de ocupação da terra e constituição territorial, protagonizadas por indivíduos e grupos sociais marginalizados pela empresa colonial portuguesa. Nossas pesquisas, apresentam indícios historiográficos presentes em fontes variadas, mas que, passaram despercebidos por pensadores sociais que estudaram o interior do Brasil, apontam para a existência de processos não lineares de povoamento, ocupação e dinâmicas antigas de fragmentação das terras, minifundização e a conformação de uma sociedade diversificada que, para além dos sesmeiros/fazendeiros, contava com forte presença de escravos, indígenas, comerciantes, agentes da administração colonial e estratos de cultivadores livres e pobres, cujos descendentes atualmente, enquadram-se na categoria “Agricultora Familiar”.
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