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Práticas de consumo entre jovens: caminhos para o consumo consciente
Mariana Baldoino, Luciene Costa y MARIA OLIVIA DE ALBUQUERQUE RIBEIRO SIMÃO -.
XXXI Congreso de la Asociación Latinoamericana de Sociología. Asociación Latinoamericana de Sociología, Montevideo, 2017.
Resumen
A discussão entre os estilos de vida e o consumo tem ganhado evidência por revelar singularidades a partir das atitudes e valores dos indivíduos. Essa categoria promove inúmeras possibilidades de investigação nas relações pessoa-ambiente e no comportamento de consumo consciente, uma das prerrogativas socioambientais emergentes. Apontamos as implicações dos aspectos culturais presentes nas práticas de consumo - do consumismo ao consumo consciente - com base em uma pesquisa realizada entre estudantes do ensino básico em uma escola pública na cidade de Manaus, Amazonas. Participaram deste estudo 83 sujeitos, ambos os sexos, idade entre 15 e 21 anos. O estudo descritivo se desenvolveu em fundamentação teórica dos conceitos em Psicologia Ambiental de comportamento pró-ambiental (CPA) e Consumo, na Sociologia do Consumo. Considerando que o consumo consciente está atrelado à responsabilidade socioambiental, buscou-se investigar se tais aspectos estão presentes no comportamento de consumo entre os jovens. Para a coleta de dados foi empregado um questionário elaborado com questões dicotômicas a partir dos pressupostos dos 8 R (Refletir, Reduzir, Reutilizar, Reciclar, Respeitar, Reparar, Responsabilizar-se, Repassar) do consumo consciente, desenvolvido pelo Instituto AKATU. Cada fator R foi composto de forma independente, com 4 a 7 questões específicas. Foram identificadas as maiores e menores pontuações nas seções Refletir, Reutilizar e Reparar. Os resultados apontam que Refletir é a estratégia mais utilizada por 54% dos estudantes, antes de decidir o que e como consumir (por exemplo, utensílios pessoais, livros, eletrônicos e alimentos). Essa decisão, no entanto, mostra que esses jovens preferem produtos novos e de marcas conhecidas e revelaram pouca preocupação, 16%, se o produto empregou trabalho escravo. A estratégia de Reutilizar está presente em apenas 11%, em que o item adquirir roupas e calçados em brechó foi o menos apontado, com 2% e reutilizar livros de parentes e amigos o maior, com 22%. A estratégia de Reparar é feita por 43% dos jovens, principalmente em reparos nas vestimentas e aparelhos eletrônicos. Tais resultados indicam baixa sensibilização para as questões socioambientais e consumo consciente. Os componentes do estilo de vida podem mudar ao longo dos anos, mas para que aconteça, a pessoa precisa perceber-se capaz de realizar as mudanças pretendidas além de identificar algum valor no componente que queira incluir ou excluir para a efetivação dessa mudança (Sellin & Owen,1999). Os dados corroboram com Bauman acerca da liquidez das relações de consumo e das pessoas com o ambiente, desvalorizando-se a durabilidade e igualando o “antigo” com aquilo que é defasado e impróprio para uso pessoal, denotando insustentabilidade dos atuais estilos de vida e padrões desse comportamento. Sugere-se práticas de educação ambiental voltadas ao consumo consciente, pois o conhecimento e o envolvimento promovem condutas imprescindíveis para mitigar impactos ambientais produzidos pelo consumismo.
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