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DO PORNÔ AO PÓS-PORNÔ: Corpo e subversão na América Latina
Nathalia Gonçales.
XXXI Congreso de la Asociación Latinoamericana de Sociología. Asociación Latinoamericana de Sociología, Montevideo, 2017.
Resumen
As ideias desta apresentação têm como propósito aprofundar o debate a respeito do corpo, mas também das estratégias de subversão crítica aos regimes discursivos que se fixam como princípio de verdade sobre ele. A linha condutora desta discussão será por meio de propostas políticas conhecidas como pós-pornografia. Atualmente, podemos pensar o pós-pornô como uma rede de produção ampla - envolvendo vídeo, performance, literatura, dentre outras manifestações - que busca tensionar o alto escalão das potentes ficções políticas como lugar privilegiado de produção de sentido sobre o corpo, a sexualidade e o desejo. Em especial, por meio de performances artísticas, interrogo como os processos de construção políticas da heterossexualidade, da colonialidade, da branquitude e das tradições cristãs atravessam vidas e subjetividades situadas abaixo dos trópicos. Sem dúvida, seguir chamando essas manifestações de pós-pornografia sem produzir nenhum tipo de tensão seria cair na armadilha fácil da homogeneização e da produção de uma “nova” e infame identidade - esse não é nem de longe o meu objetivo. Desta maneira, procuro mostrar como o pós-pornô na América Latina produz e reinscreve as políticas do corpo por meio de uma descolonização do conhecimento, criando conexões ambivalentes com os saberes e poderes hegemônicos. Dentro de uma configuração maior sobre o sexo, busco pensar a pornografia mainstream enquanto técnica de representação própria dos dispositivos de subjetivação estruturantes da sexopolítica contemporânea. Da mesma maneira que a dança, o cinema ou o teatro, a pornografia executa um conjunto de coreografias corporais reguladas por códigos de representação bem precisos. Alguns desses códigos técnicos de masculinidade e feminilidade pertencentes à linguagem pornográfica têm como propósito fazer corpo, produzindo não só diferenças sexuais, senão também diferenças de gênero, de classe, de raça, de corporalidade, dentre outros marcadores sociais. Nessa matriz dura, o discurso pornográfico engendra um efeito absoluto sobre o que seria a representação da sexualidade, não necessariamente deixando de fora a possibilidade criativa de outros imaginários dissidentes a respeito do uso dos prazeres, mas provocando camadas hierarquizadas em função de suas normas e estéticas excludentes. Em seguida, resgato a polêmica histórica conhecida como Sex Wars para mostrar como a disputa entorno da pornografia vai instalar um debate profundo dentro do feminismo nos anos setenta e oitenta: de um lado, as feministas radicais; de outro, as feministas pró-sexo. Um dos deslocamentos mais criativos para esse impasse em relação à pornografia vai surgir precisamente da estratégica eleição por uma política sexual afirmativa como parte integrante das reivindicações feministas, abrindo caminhos até uma produção que vai reclamar o prazer sexual e a agência dentro de uma estrutura que era pensada como sendo exclusivamente misógina e produtora de violência. Desponta então o que se convencionou chamar de pós-pornografia, ou pôs-pornô, um movimento híbrido que circula nas fronteiras entre ativismo político e arte performática com o fim de disputar e complicar as representações dominantes da pornografia tradicional.
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