Atención

Búsqueda avanzada
Buscar en:   Desde:
O repertório de ação do MST frente aos governos nacionais petistas
Marcos Paulo Campos -.
XXXI Congreso de la Asociación Latinoamericana de Sociología. Asociación Latinoamericana de Sociología, Montevideo, 2017.
Resumen
O MST estaria em plena desmobilização frente às gestões presidenciais petistas? A revista semanal nacional “Isto É”, em 21 de setembro de 2011, trouxe em sua capa como frase-título “O Fim do MST” e as seguintes afirmações como lead: “Os sem-terra perdem apoio e deixam de atrair os batalhões de excluídos que fizeram sua história”. O enfraquecimento do MST como agente do campo político nacional estaria, portanto, comprovado por sua evidência noticiada. Isso encerraria os debates sobre a desmobilização dos sem-terra não fosse uma variável incômoda: a realização do VI Congresso Nacional do MST em 2014 com aproximadamente 15 mil trabalhadores rurais, um recorde de participantes. Esse dado sobre a presença massiva de participantes na reunião organizativa mais importante do Movimento fragiliza o argumento da desmobilização e permite uma reavaliação da atuação do MST na atual conjuntura política. No entanto, é preciso considerar o decréscimo numérico das ocupações de terra durante os governos petistas, indicando a redução do uso da forma mais conflitiva de ação dentre as disponíveis no repertório do MST. A redução geral das ocupações (de 664 em 2004 para 184 em 2010, conforme os dados do DATALUTA/NERA) indica estar o próprio Movimento investindo menos nesse recurso do seu repertório de ação. Isso seria suficiente para comprovar o ocaso do MST na política nacional? Como foi possível, diante desse quadro de redução das ocupações, realizar o VI Congresso do MST, em fevereiro de 2014, quarto ano do terceiro mandato presidencial consecutivo do PT, com o maior número de participantes já registrado num congresso do Movimento? Na verdade, tanto a redução de ocupações como a pujante mobilização do congresso podem ser pensadas no âmbito de uma mesma estratégia de ação, dirigida pelo Movimento frente ao governo Dilma. Esse entendimento fica mais evidente, considerando os discursos proferidos no quarto dia do congresso do MST, quando foi realizado o Ato Político em Defesa da Reforma Agrária. Nesse ato, João Pedro Stédile, coordenador nacional do Movimento, afirmou que: “nós aqui estamos terminando um trabalho de dois anos onde refletimos sobre os desafios da reforma agrária brasileira, do Brasil e do capitalismo. Esse aqui é o momento da unidade em cima do que nós refletimos”. Essa fala indica que o processo de discussão nas bases do Movimento, preparatório para o congresso, pode ter assumido uma relevância tal para a organização que o enfrentamento direto com a grande concentração de terra via ocupação acabou perdendo, progressivamente, espaço no repertório de ação do MST. Este trabalho, portanto, prefere apontar uma possibilidade alternativa de interpretação para a ação do Movimento nesta conjuntura em que a redução da forma mais visível de seu repertório de ação, a ocupação de terra, é compreendida como parte de uma estratégia de recuo coordenado no qual a retração não indica perda de capacidade mobilizadora, mas uma mudança no repertório de ação do MST em favor de formas de ação menos conflitivas para seguir fazendo a disputa política pela reforma agrária no contexto dos governos nacionais petistas.
Texto completo
Creative Commons
Esta obra está bajo una licencia de Creative Commons.
Para ver una copia de esta licencia, visite https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.es.