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As estratégias de veículos digitais progressistas brasileiros e argentinos frente à atuação uníssona e conservadora dos grandes conglomerados jornalísticos latino-americanos
Patrícia Paixão.
XXXI Congreso de la Asociación Latinoamericana de Sociología. Asociación Latinoamericana de Sociología, Montevideo, 2017.
Resumen
Este texto tem como objetivo estudar as estratégias de comunicação de alguns blogs, sites e coletivos midiáticos progressistas da América Latina, com foco no Brasil e na Argentina, verificando de que forma esses veículos alternativos têm funcionado como um “antídoto” à visão hegemônica e sectária dos grandes conglomerados midiáticos da região, contribuindo para a valorização das iniciativas dos países do continente e sua integração. A parcialidade e a falta de pluralismo, em prejuízo da captação da realidade em todos os seus aspectos, é um problema que os grandes conglomerados jornalísticos latino-americanos parecem estar longe de superar. Como grandes empresas inseridas na lógica capitalista, e dependentes que são de grupos políticos e econômicos, a mídia hegemônica dos países do continente realiza, comumente, uma cobertura fragmentada da realidade, sem dar espaço a todas as vozes e nuances presentes nela. Com frequência, atuam como porta-vozes das elites da região, agendando assuntos e vieses, no processo de produção da notícia, que são do interesse desses setores. Costumam “se vender”, em seu marketing, como “imparciais”, quando se comportam como verdadeiros partidos políticos, como aponta o jornalista brasileiro Perseu Abramo, no livro Padrões de Manipulação da Grande Imprensa. De acordo com Abramo (2004), os meios de comunicação recriam a realidade por meio da manipulação da notícia para exercerem poder na sociedade onde atuam. Contra o interesse público, que deveria permear o jornalismo, determinadas visões de mundo são privilegiadas. Iniciativas latino-americanas são comumente divulgadas como “atrasadas” em contraposição a determinados paradigmas europeus e norte-americanos, tidos como “desenvolvidos” pelas elites regionais. Em contrapartida à essa visão uníssona e conservadora, graças à impulsão e desenvolvimento da internet observa-se hoje em diferentes países da América Latina o surgimento de veículos digitais progressistas que desmascaram a “velha mídia” e propõem à sociedade visões alternativas, contribuindo com a pluralidade. Dentre outros, pode-se destacar, no Brasil, o Jornal GGN, do jornalista Luís Nassif, o blog Viomundo, de Luiz Carlos Azenha, o Blog do Miro, de Altamiro Borges, a Mídia Ninja e a rede de coletivos Fora do Eixo. Já na Argentina pode-se citar o blog do pesquisador e professor universitário Martín Becerra, o site Página 12, o coletivo fotográfico M.A.f.I.A (Movimiento Argentino de Fotógrafxs Independientes Autoconvocadxs), o portal de notícias Notas Periodismo Popular, dentre outros. O presente estuda aborda as estratégias desses veículos alternativos, por meio da análise qualitativa de alguns de seus textos e do impacto de suas publicações (número de seguidores e compartilhamentos), e através de entrevistas com seus responsáveis.
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