Netflix: um estudo exploratório-descritivo sobre os hábitos de consumo e produção de subjetividades nos consumidores da região metropolitana de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Isabella Rocha De Souza, Ana Claudia Braun, Maria De Lourdes Borges, Robinson Henrique Scholz y Pedro De Conto.
XXXI Congreso de la Asociación Latinoamericana de Sociología. Asociación Latinoamericana de Sociología, Montevideo, 2017.
Dirección estable:
https://www.aacademica.org/000-018/2986
Resumen
Este estudo visa investigar os hábitos de consumo e possíveis impactos subjetivos de assinantes e/ou consumidores de Netflix na região metropolitana de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. Desde sua chegada ao Brasil, o Netflix vem ganhando cada vez mais espaço no mercado. Este comportamento de consumo corresponde a uma mudança nos processos tecnológicos de comunicação que afetam o consumo de conteúdo midiático e têm a internet como sua principal aliada. No contexto brasileiro e no Estado pesquisado, a popularização do serviço é crescente. Tendo em vista tal cenário e buscando a ampliação de seu entendimento, realizou-se uma pesquisa exploratória e descritiva com viés quantitativo por meio da aplicação de questionários semiestruturados realizados especificamente para essa pesquisa. Elaboraram-se 17 questões que investigaram o perfil, os hábitos e as preferências dos respondentes. Os mesmos foram disponibilizados de forma online de em novembro de 2016, via e-mail e redes sociais como Facebook e Whatsapp. A amostra totalizou 383 participantes maiores de idade. A escolha dos participantes foi aleatória, não-probabilística e por conveniência. Os participantes se caracterizam como, em sua maioria, mulheres (61,1%), sem filhos (67, 1%) e de até 30 anos de idade (68,4%). O nível médio de horas/dia disponibilizadas para entretenimento dos participantes foi de duas. Os resultados apontam preferência por séries em detrimento de filmes ou documentários; alta familiaridade com originais Netflix (73,4%); elevada propensão dos entrevistados a recomendarem o serviço (98,2%); e índice elevado de satisfação com o serviço (média 85,6%). É possível sugerir que a preferência por séries em detrimento de filmes ou documentários pode estar relacionada a uma modificação da prática de relacionamento com a cultura do consumo, pois delimita a apropriação de um capital simbólico regido pelo habitus. Outrossim, a alta familiaridade com séries originais Netflix pode levantar questionamentos sobre um imaginário globalizado que afeta diretamente o consumo de bens e serviços midiáticos oferecidos pela ferramenta, e, ao mesmo tempo, gera processos de exclusão sociocultural daqueles que não tem esse acesso. Por outro lado, o acúmulo exagerado de tempo sobre o consumo do Netflix, pode impactar em massificação e uma (des)construção do julgamento crítico em torno do capital simbólico (re)produzido e que pode trazer como consequência o consumo de outros bens que giram em torno da Netflix. Os achados desta pesquisa convidam a novos debates sobre os aspectos que impactam na subjetividade dos usuários do Netflix, entendendo que as subjetividades são construídas e que a massificação midiática, neste caso por meio de séries e filmes, acaba tendo consequências tais como a formação de um novo público de consumo, gerando novas produções sociais e individuais, de maneira que interessem a quem produz essas séries.
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