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As marcas da colonização latino-americana no discurso da mídia brasileira: o caso da reeleição de Cristina Kirchner
Patricia Paixão De Oliveira Leite.
XXXI Congreso de la Asociación Latinoamericana de Sociología. Asociación Latinoamericana de Sociología, Montevideo, 2017.
Resumen
Este artigo discorre sobre a cobertura da mídia impressa brasileira durante a campanha à reeleição da presidente argentina Cristina Kirchner, em 2011, com o objetivo de compreender como os jornais adotam um discurso colonizador sobre a líder latino-americana. Para tanto, foram estudados os discursos dos jornais Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo e O Globo – veículos de grande circulação no Brasil, tendo como corpus de análise reportagens, matérias, artigos e editoriais. A pesquisa adotou o aporte teórico-metodológico da Análise de Discurso, que conduziu a análise dos textos, além de recorrer a diversos autores da área da Comunicação Social e da Sociologia, a fim de abordar as questões referentes à formação, constituição e funcionamento da mídia e da América Latina. Sabendo-se que o estudo do discurso perpassa a questão da história, da ideologia e da luta de classes, a base de problematização aqui desenvolvida entende que a mídia constrói historicamente os discursos sobre a região e seus líderes, a partir de uma ótica colonizadora. Cristina Kirchner faz parte de um grupo de líderes latino-americanos que, na última década, adotaram posturas mais progressistas, como Luiz Inácio Lula da Silva, Hugo Chávez, Evo Morales e Rafael Correa, emergindo como expoentes de uma nova configuração política da região. Esse bloco de países em luta “antineoliberal” e “descolonial” se delineia mais fortemente em um momento em que os paradigmas de “esquerda” no mundo ainda vivem numa crise no entrelugar “discurso e prática”. Por isso é importante para este artigo trazer também uma breve análise do contexto sócio-histórico dos países ao Sul do Continente, situando o papel da mídia brasileira que, claramente, segue na contramão das lutas emancipatórias latino-americanas, trazendo as marcas fortes deixadas pelas colonizações opressoras na região. Os veículos de comunicação comerciais surgiram de um mesmo processo: nasceram e foram legitimados por um modelo capitalista de concentração e, em tese, são eficientes mantenedores dessa prática. O poder da mídia é, acima de tudo, simbólico. Embora o tema “América Latina” venha ganhando força nos noticiários nacionais, é condicionado por fortes críticas às posturas de seus líderes, que são, em alguns casos, explicitamente chamados de radicais, sectários, chegando a ser demonizados. Mas, por ser mulher, vê-se que há um peso maior das palavras da mídia sobre a presidente argentina, simbolizando a repressão sofrida pela mulher latino-americana colonizada. Buscando coerência com a proposta deste trabalho, os autores latino-americanos foram privilegiados, sobretudo ao abordar a constituição da identidade latino-americana, as colonizações, as explorações, enfim, as origens desse lado Sul que tenta se reinventar. Ao final do artigo, é possível compreender como os meios de comunicação discursivizam a América Latina, ressignificando as marcas simbólicas dos processos colonizadores.
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