Entre os muros da cidade: condomínios e segregação socioespacial na Barra da Tijuca
Jéssica Neves Lôro.
XXXI Congreso de la Asociación Latinoamericana de Sociología. Asociación Latinoamericana de Sociología, Montevideo, 2017.
Dirección estable:
https://www.aacademica.org/000-018/2529
Resumen
O artigo pretende fazer uma análise do processo de expansão urbana, busca-se pensar nas novas formas de urbanidades, que se traduzem em processos e temporalidades que transformam a paisagem urbana e ocasionam dinâmicas de mudanças socioespaciais. Desta forma, o trabalho se configura em observar questões relacionadas ao urbano e a questão social, analisando como processos de reestruturação socioespacial agregam novas formas, significados e produção de espacialidades. O trabalho terá como foco condomínios horizontais que se localizam no bairro da Barra da Tijuca no estado do Rio de Janeiro, sendo estes condomínios com um alto grau de sofisticação, que conseguem desenvolver certa autonomia em relação ao resto da cidade. Portanto, busca-se uma análise do processo de segregação socioespacial, produzindo suas razões, na perspectiva da disposição pelo medo e a obsessão pela segurança aliados à sobrevalorização do individuo, ou seja, à sua fragilidade e vulnerabilidade, e verificar as mudanças ocorridas a partir da escolha deste novo modelo de habitação e analisar as diferentes formas de integração e a apropriação do espaço por indivíduos de camadas médias e altas, observando como esse modelo residencial interfere no simbólico da cidade e acentua sintomas como a segregação e insegurança. Visto como uma ideia inicial na constituição das cidades, tais aspectos como democracia e livre passagem se encontram de certa forma mais distantes deste imaginário urbano, pois as cidades se representam cada vez mais de forma segregada e hierarquizada. Dividida por locais determinados para cada tipo de classe social, como é o caso dos bairros nobres e as favelas. Alguns fatores como a violência e o medo atualmente acentuam os processos de mudança social, consolidando a estigmatização de certo grupo de indivíduos, ocasionando o distanciamento e o fechamento de relações mais direcionadas para aqueles que se identificam como aparentemente iguais. Desta forma, o distanciamento/isolamento se caracteriza de várias formas, como é o caso da proliferação da construção de condomínios horizontais fechados. O crescimento deste tipo de habitação caracteriza o novo padrão de segregação entre as classes mais abastadas da sociedade. A metodologia do artigo se constitui a partir do trabalho de campo, observando as relações estabelecidas entre os moradores do condomínio e o bairro em questão, seguindo de pesquisa bibliográfica onde usarei como vertente principal a autora Teresa Caldeira que em seu livro Cidade de Muros analisa que o surgimento dos condomínios fechados evidencia um novo modelo de segregação espacial e desigualdade social. Substituindo, aos poucos, o padrão centro-rico/ periferia pobre.
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