Pensamento Social Latino-Americano em Saúde: Retomando a Contribuição de Sérgio Arouca
Rodrigo Costa y Paulo Abdala.
XXXI Congreso de la Asociación Latinoamericana de Sociología. Asociación Latinoamericana de Sociología, Montevideo, 2017.
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Resumen
Este trabalho resgata a vigência e a tradição do pensamento original latino-americano em saúde coletiva. Retomamos o pensamento de Sérgio Arouca, um intelectual militante brasileiro, médico e comprometido com a transformação da realidade latino-americana, participante ativo do movimento sanitarista que culminou com a construção do sistema único de saúde brasileiro. O objetivo do artigo é recuperar a categoria “dilema preventivista”, proposta pelo autor em sua tese de doutorado escrita em 1975, para compreender como aconteceu a atualização do discurso da Medicina Preventivista para o da Promoção da Saúde. Em sua tese, Arouca buscou compreender como foram produzidas as regras da formação discursiva da Medicina Preventivista, estudando as articulações com o modo de produção capitalista, fazendo aproximação teórica com a teoria do valor de Marx, a fim de compreender a simultaneidade e a contradição da Medicina Preventiva – Medicina Curativa. Partindo da conceituação do cuidado médico e de sua articulação com o modo de produção capitalista, Arouca chegou à centralidade de sua Tese, evidenciando a contradição fundamental da medicina: ter como objeto valores vitais que para os seres humanos são valores de uso no processo da vida, transformados em valores de troca pelo modo de produção capitalista. Essa apreensão possibilitou ao autor a construção da categoria “dilema preventivista”, evidenciando que a Medicina Preventiva não escapou a contradição da própria medicina, constituindo-se em um espaço conservador e funcional ao capitalismo. A compreensão do “dilema preventivista” nos levou a um questionamento sobre o atual movimento da medicina expresso na Promoção da Saúde difundida pelas agências internacionais, especialmente na América Latina como uma grande estratégia para melhorar as condições de saúde da sociedade por intermédio de um conjunto de prescrições normativas a respeito de “hábitos saudáveis”. Constatamos que a Promoção da Saúde ocupa o mesmo espaço da Medicina Preventiva, respeitadas suas singularidades. Ao analisar a Promoção da Saúde denota-se que como formação discursiva ela surgiu em um contexto muito semelhante a Medicina Preventiva, caracterizado principalmente pela ascensão do neoliberalismo. O conjunto das premissas neoliberais, somado aos custos da atenção médica e do enfoque clínico sob responsabilidade dos profissionais médicos, fez com que a Promoção da Saúde aparecesse no cenário internacional como uma inovação para o campo da saúde ao propor uma reestruturação dos sistemas de saúde dos países, sendo atualmente amplamente divulgada através de políticas sociais. Entretanto, denota-se que a Promoção da Saúde não é uma inovação em relação ao “dilema preventivista”, mas uma atualização de seu discurso, não escapando à contradição central da medicina. Diante disso, nossa proposta de estudo é explorar e resgatar a tradição do pensamento social em saúde na América Latina de forma a potencializar a crítica da teoria da social.
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