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A banalização da imagem do corpo feminino e a violência simbólica como implicadores para a desigualdade de gênero e a violência contra a mulher
Cristiane da Silva Freitas Oliveira Oliveira.
XXXI Congreso de la Asociación Latinoamericana de Sociología. Asociación Latinoamericana de Sociología, Montevideo, 2017.
Resumen
Historicamente a concepção dominante de poder tem submetido as mulheres a uma socialização que tende a diminuir o seu papel ao passo que absorvem virtudes como o silêncio, obediência e abnegação. São minimizadas ao papel de filhas, mães e esposas restritas ao espaço doméstico e para tal, são utilizados eficientes mecanismos de controle como a escola (os contos de fadas), a família e a religião. Mecanismos esses, validados pelos meios de comunicação em massa de uma sociedade consumista que reforçam a desigualdade de gênero. No entanto, o corpo feminino é apresentado largamente na mídia associado a um produto a ser consumido e descartado, um verdadeiro apelo sexual ao consumo. Propondo um dualidade preconceituosa, entre a “mulher virtuosa” do lar e a “mulher produto” cuja imagem muitas vezes se sobrepõe à da mulher humana, constituindo-se assim, um incentivo aos homens não respeitarem a mulher e em nome de sua “masculinidade e poder” cometerem o crime do estupro. Um dado preocupante é o percentual de brasileiros que consideram a mulher culpada por ser estuprada, conforme pesquisa do Instituto Datafolha publicada em 21/09/2016 na qual 37% das pessoas entrevistadas concordam com a frase: “Mulheres que se dão ao respeito não são estupradas”. Contudo, na mesma pesquisa 91% das pessoas entrevistadas responderam que acreditam que é necessário ensinar aos meninos a não estuprar, destacando então a importância da educação para a igualdade de gênero. O trabalho propõe refletir sobre a crença na impunidade mesmo diante da Lei 11.340/2006 - Lei Maria da Penha, que cria mecanismos para coibir a violência doméstica e tem por objetivo prevenir, punir e erradicar a violência contra a mulher. Ressalta também, a necessidade da presença mais efetiva do Estado através de políticas públicas que minimizem a desigualdade de gênero, a exemplo das exitosas experiências vividas por municípios e Estados, como em Pernambuco no qual, a Secretaria da Mulher em conjunto com a Secretaria de Educação incentivam a formação e manutenção dos Núcleos de Estudos de Enfrentamento da Violência Contra a Mulher na escolas de Referência da Rede Estadual de Ensino. Sendo assim, o trabalho procura estabelecer relações entre a banalização da imagem do corpo feminino e a violência simbólica, mediante o bombardeio da mídia, dando suporte para a desigualdade e para a violência, ao passo que discute mecanismos capazes de promover a igualdade de gênero e minimizar a violência contra a mulher.
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