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A vida em movimentos: a experiência de jovens negros de grupos culturais de Salvador
Umeru Bahia - UFBA.
Maria Gabriela Hita - UFBA.
X Jornadas de Sociología. Facultad de Ciencias Sociales, Universidad de Buenos Aires, Buenos Aires, 2013.
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Resumen
Nossa análise etnográfica de grupos culturais formados por jovens negros moradores de um bairro popular de Salvador, metrópole com maioria afro-descendente, se voltou ao acompanhamento de perto e de dentro dos seus trajetos pela cidade. Inspirado em estudos da Escola de Manchester sobre redes sociais e em trabalhos da Antropologia Urbana sobre mobilidade, buscamos compreender a forma de ação em rede e de apropriação do espaço urbano. Os grupos culturais acompanhados são constituídos por músicos, artistas visuais, dançarinos afros, atores, profissionais de mídia e ativistas de movimentos negros; boa parte destes jovens são adeptos do candomblé. Suas ações vão desde apresentações artísticas, oficinas, presença em protestos, à mediação bairro x Estado, produção em mídia, palestras para jovens. Com uma presença bem diversificada de interesses, estes grupos formam entre si uma rede que tanto fortalece seus laços, traz benefícios diferenciados, como também fomenta intrigas e conflitos internos. Os líderes destes grupos, jovens adultos homens, ao longo do processo de formação de seus respectivos agrupamentos, se formaram como líderes comunitários também. Os grupos culturais fortalecem os laços internos do bairro e através de suas lideranças se tornaram referencial político também. Seja circulando para apresentações e oficinas de arte e cultura pela cidade, seja para reuniões com o poder público e movimentos políticos, estes grupos se apropriam e imprimem suas identidades no próprio espaço urbano através de seus trajetos. Escolas, praças, ruas, centros religiosos, eventos de cultura e arte são alguns dos espaços adaptados para suas ações. “Ser de um grupo cultural” é uma experiência de formação de identidade para estes jovens que transcendem, muitas vezes, os efeitos da longa e forte exposição a vulnerabilidades. Os conflitos da cidade, a experiência com a pobreza, violência e discriminação acompanham a vivência de novas formas de inserção e participação coletiva no ambiente urbano.
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