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Machado de Assis e a nova geração brasileira de 1870: disputas em torno da recepção crítica do moderno
Silva y Daniel Pinha.
XIV Jornadas Interescuelas/Departamentos de Historia. Departamento de Historia de la Facultad de Filosofía y Letras. Universidad Nacional de Cuyo, Mendoza, 2013.
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Resumen
A década de 1870 foi um momento de efervescência do discurso de modernidade no contexto intelectual brasileiro. Silvio Romero, expoente do grupo que ficou conhecido como Geração de 70, afirmou: um bando de ideias novas invadia as letras brasileiras daqueles anos. Era o momento de questionar a vitalidade dos pressupostos românticos, tidos como passado a ser superado, em nome da afirmação de um novo presente, atualizado em relação ao repertório intelectual europeu. A condição de afirmação do novo, em Romero, é a recepção adequada desse repertório, ocupada em inserir o pensamento brasileiro no movimento da Civilização, ou seja, no processo histórico maior de ideias no Ocidente. Considerando as condições históricas brasileiras, para Romero, caberia ao debate intelectual brasileiro realizar um esforço de atualização, ante a um processo que lhe era anterior e superior. Ainda que Machado de Assis admita a necessidade de assentar as ideias brasileiras no percurso Ocidental, em contato contínuo com o que ele chama de pecúlio universal, em Machado há a problematização e o distanciamento dessa perspectiva civilizatória, principalmente a ideia de progresso que lhe é intrínseca. O progresso, além de supor a automática superioridade do presente em relação ao passado, esvaziando o discernimento crítico do presente, elimina o espaço de tensão constitutiva da experiência moderna, pois o futuro redentor civilizado elimina o polo negativo que constitui qualquer experiência histórica. Se a direção das novas ideias reconhecidamente vem de fora, do outro lado do Atlântico, para Machado tal característica não implica desmerecimento ou atraso, mas sim a elevação, a primeiro plano, da tarefa da recepção crítica do novo, ou seja, na capacidade da nova geração realizar um tipo de recepção que confronte o novo repertório conceitual às particularidades do meio brasileiro. A necessidade do confronto entre repertório europeu e experiência brasileira, anunciada por Machado, adquire um sentido mais amplo se apreendida à luz do que Elias Palti chamou, contemporaneamente, de “história-das-ideias-das-ideias-fora-do-lugar”: as ideias estão sempre fora do lugar porque, em uso, parcialmente desencaixadas de seu contexto matricial de enunciação. A questão deixa de ser a busca de uma aplicação coerente das ideias em seus lugares, para a admissão da lógica do desvio, ampliada a qualquer lugar ou situação histórica. A análise da produção crítica machadiana na década de 1870, em especial, do artigo “A nova geração”, publicado por Machado em 1879 é objeto central da presente comunicação, permite-nos avançar neste debate, em sua disputa com Romero e a nova geração.
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