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Nas margens do mundo conhecido. Jesuítas no Marañón espanhol (século XVII)
Maria Cristina Bohn Martins.
XIV Jornadas Interescuelas/Departamentos de Historia. Departamento de Historia de la Facultad de Filosofía y Letras. Universidad Nacional de Cuyo, Mendoza, 2013.
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Resumen
Nas margens do mundo conhecido. Jesuítas no Marañón espanhol (século XVII) Maria Cristina Bohn Martins (1) Em 1638, um missionário escreveu a um seu colega (2) sobre os trabalhos que cumpriu no rio Pastaza, acompanhando uma milícia que perseguia índios maynas rebelados. O texto, ao apresentar as atribulações que ele experimentou, não se afasta de outros de natureza similar à sua, especialmente pelo enaltecimento ao apostolado dos jesuítas. Aparecem nele assim, as dificuldades de deslocamento em frágeis canoas que enfrentam as poderosas correntes dos rios amazônicos, a fome (e necessidade de consumir “immundicias”,) e o incômodo dos mosquitos (“plaga insufrible”), entre outras coisas: “Lo inundado de los montes, el [no] poder (...) salir de la canoa, aun para la más precisa necesidad. Aquí (...) cayó mi poco vigor (...) en condición de no poder levantar-me”. Compreendo que a estada em territórios limítrofes implicava numa condição excepcional, capaz de revelar fragilidades pessoais quase nunca evidentes na literatura jesuítica. É o que podemos perceber nas palavras do missionário que escrevia ao seu companheiro: “Cerró la noche y entraron con ella unas horrorosas tinieblas de pavor, que ocuparon los coraçones de los maynas (...) y no menos el mio. Ellos hablaban entre sí (...) con voz tan triste y baja [que] entre en gran cuydado de si maquinavan algo contra mí (...). Aquí (...) confieso los efectos de mi fraqueza (...) cerraba la boca (...) para que nó oyessen dar diente con diente. Llegava las manos á la cabeça y parece que me espinaban los cabelos: tales estabam de eriçados, y mi coraçon tan posuido de temor y sombras fatales (...)” (3). Assim é que, acompanhando a reflexão de Del Valle (4) sobre a produção textual dos jesuítas em “geografias extremas” , pretendo, a partir de narrativas selecionadas de alguns missionários no Marañón (5) , discutir sobre como as longas temporadas passadas a sós, ou com reduzida companhia de outros europeus, ecoam em seus escritos. Isto é, conjecturar sobre possíveis marcas deixadas nos textos pelo isolamento físico, linguístico, emotivo e intelectual vivido pelos padres. Desta maneira, o exercício de crítica aqui proposto, não busca constatar se os relatos analisados descrevem ou não, a realidade que cerca seus autores, mas sim refletir sobre a realidade que eles dizer perceber (Del Valle, 2009, p. 17). (1) Professora do PPGH UNISINOS, RS; Bolsista Produtividade em Pesquisa do CNPq. (2) São os padres Lucas de la Cueva e Gaspar de Cugia respectivamente. (3) Apud: FIGUEROA, op. cit., pp. 175-176, (4) DEL VALLE, Ivonne. Escrebiendo desde los márgenes. México: Siglo XXI, 2009, 301 p. (5) Lucas de la Cueva (1638); Francisco Figueroa (1668); Samuel Fritz (1690)
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