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Conquista e resistência na “História Geral das Guerras Angolanas”, de António de Oliveira de Cadornega
FRANCO y Roberta Guimarães.
XIV Jornadas Interescuelas/Departamentos de Historia. Departamento de Historia de la Facultad de Filosofía y Letras. Universidad Nacional de Cuyo, Mendoza, 2013.
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Resumen
António de Oliveira de Cadornega (1623-1690) parte para Angola, como soldado, aos dezessete anos de idade, permanecendo na então colônia até a sua morte, em Luanda. Após quase quarenta anos vivendo em África, o soldado já reformado decide escrever o que chamaria de “História Geral das Guerras Angolanas”, obra em três tomos concluída em 1681. Misto de estudos historiográfico, antropológico, etnográfico, geográfico e literário, Cadornega construiu sua obra baseando-se na sua vivência em terras angolanas, e também nos relatos orais dos “antigos que assistirão nas ditas conquistas” (Tomo I, p. 9), por isso alguns críticos consideram que seu texto traz um exemplo claro de um português-angolano. No entanto, seu principal objetivo era guardar a memória dos feitos portugueses na conquista das terras e dos povos de Angola – “(...) muitas couzas ficarão no Livro do esquecimento, como até agora tem ficado, o que obrão na Conquista destes Reinos que foi a principal causa do Autor desta historia tomar esta empresa e canceira, a sua conta porque totalmente não ficasse tudo no esquecimento; deste descuido se queixão os nossos historiadores (...)” (Tomo I, p. 45). Mas Cadornega vai além da dominação do colonizador, destacando e elogiando as táticas de defesa e resistência daqueles que tentavam não ser colonizados. Um exemplo caro a Cadornega é a figura da Rainha Jinga, a quem o cronista dedica especial atenção, ressaltando a sua eficácia em comandar seus súditos e ao negociar com as oposições, não só as portuguesas. Para Cadornega, Jinga “se podia comparar ou ainda preferir a Semiramis, a Pantasileja, a Cleopatra, e a outras Raynhas de que as historias nos dão noticias, governando a seus Vassallos a nossa oposição com valor e animo varonil (...)” (Tomo I, pp. 54-55) Dito isto, nosso trabalho pretende, para além de evidenciar a descrição do espaço angolano e como este é utilizado pelos povos autóctones na sua defesa, confrontar dois tipos de discursos presentes na obra de Cadornega. O primeiro que demonstra claramente as intenções da conquista, utilizando a visão de superioridade europeia e a necessidade de civilizar tais povos. E o outro que manifesta a inserção do autor naquela sociedade, compreendendo a figura de Cadornega como um agente discursivo que transita entre dois mundos, ora julgando os povos angolanos como selvagens, ora reconhecendo a sua força e habilidades para tratar com os invasores europeus.
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